sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Reflexão final sobre as teorias expostas

Após o estudo das teorias seleccionadas concluimos a existência de um ponto comum a todas: o homem é o motor da cultura, portanto é possível alterar circunstâncias menos aceitáveis em determinadas culturas. Este é o nosso ponto de partida e o que nos vai permitir desenvolver todo o projecto. Se nós, seres humanos, somos um fruto de desenvolvimento constante não podemos deixar que que o nosso legado cultural estagne, pois seria persistir no erro. Deste modo é necessário repensar alguns aspectos que hoje se revelam retrógados em relação à nossa realidade actual.

O conjunto de motivos que levou a que este progresso não se verificasse assentou numa série de instintos humanos relacionados com a supremacia do homem, com a vontade inata de agir consoante o egoísmo, a ignorãncia, o desrespeito, tendo como consequência a violação dos Direitos Humanos.

A segunda etapa do nosso trabalho incide sobre o trabalho de campo, ou seja, o contacto directo com opiniões, situações reais e experiências que ilustrem o nosso estudo. Continuaremos a demonstrar assiduamente neste blogue o decurso do nosso projecto.

Por Beatriz e Rita.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Excerto do livro "Culturas e organizações" de Geert Hofstede

" o objectivo(...) é ajudar a lidar com diferenças na forma de pensar, sentir e agir dos habitantes do nosso planeta. Demonstraremos que, apesar da enorme diversidade de mentes, podemos encontrar uma estrutura que possa servir de ponto de partida para uma compreensão mútua."

Por Beatriz

Excerto do livro "Teoria da cultura" de Manuel Antunes, esclarecimento da diferença entre cultura e civilização

" Cultura e civilização distinguem-se?

(...) partem do mesmo sujeito, que é o homem, ser social: porque se referem, embora sob aspectos diferentes, aos mesmos objectos- por exemplo, um disco e um livro: vistos pelo conteúdo, são objectos culturais; vistos pelo modo como foram realizados são objectos civilizacionais-; porque visam, finalmente, o bem do mesmo homem.
Distinguem-se, porque a cultura vai mais no sentido da "transcendência" e a civilização vai mais no sentido da "imanência"; porque a cultura é mais do domínio do "ser" e civilização mais do domínio do "ter"; porque cultura é mais "substantiva" ao homem e civilização é mais "adjectiva" ao mesmo homem.
De outro modo: cultura constitui o aspecto mais pessoal e criador da civilização, e civilização constitui o aspecto mais geral e técnico da cultura. "

Por Beatriz

domingo, 28 de novembro de 2010

Teoria da Cultura segundo a Ontognoseologia (Parte II)


Ao dizer que o valor fundamental é o da pessoa humana, esse valor dará sentido à existência dos outros valores, que se subdividem em:
- Verdadeiro e que diz respeito à ontognoseologia;
- O valor do Belo que está ligado às artes e à Estética;
- O valor do Útil, que diz respeito à Economia, Comércio, Agronomia e Indústria e da manutenção da vida;
- O valor do Bem que comporta as questões relativas à Ética, à conduta humana e a moral.

Os valores são constituintes dos bens culturais. A cultura possui assim bens culturais e tais bens, realizados e construídos pela espécie humana, são de ordem não natural. Constitui todo o tipo de ciência um bem cultural. As ciências da Natureza são um bem cultural assim como as ciências da cultura o são. Mas observamos diferenças entre uma ciência natural e uma ciência cultural. Na primeira a finalidade é explicar os fenómenos naturais e noutra os culturais. Nesse sentido teremos um modo relacional objectivo de formação de leis culturais totalmente diferentes da formação de uma lei natural. Quando realizamos uma ciência cultural realizamos algo sobre nós mesmos como tentativa de auto compreensão.
                No dever ser o homem supera o simples ser da ciência natural. No espírito encontramos a liberdade e a capacidade de síntese e uma constante transcendência para ale do dado imediato. Agir para o homem envolve muito mais do que uma sequência imediata de factos, mas sim uma previsão do futuro. Se o homem age é porque tudo já foi planeada na sua cabeça e uma acção é a actualização de uma possibilidade pensada. Segue-se que a conduta humana é imprevisível visto que é um elemento que depende de um entrelaçamento de valores e bens culturais. Assim, nas ciências humanas temos factos como nas ciências naturais e neles procuramos realizar um nexo causal, sendo que as leis estabelecem uma conexão de sentido, baseada num suporte axiológico. Tudo o que acontece na natureza está fora do nosso alcance e o seu sistema de interpretação é inconsistente. No caso das ciências humanas, estas pressupõem uma ordem social que se organiza segundo o mundo moral. Ou seja, as leis baseadas no sentido são leis de carácter compreensivo e normativo, utilizadas pelo direito e pela moral, que se forem desrespeitadas pelo indivíduo podem fazer com que este sofra sanções pelo seu desrespeito pela justiça (ligada ao valor do bem e da ética). As leis e normas de conduta que mantenham o bem devem respeitar tanto o indivíduo como pessoa quanto o grupo de indivíduos que pretende regular, numa compreensão histórico-social conjugada com a época.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A Cultura numa perspectiva Antropológica (Parte II)

Então, após todas estas explicações, em que consiste ao certo o conceito de Cultura?
 Na perspectiva do antropólogo britânico Edward Tylor,(considerado o pai do conceito moderno de Cultura):
 
Cultura é “o todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem enquanto membro de uma sociedade”.
In Primitive Culture (1871)

Há que referir que Tylor foi o primeiro a formular o conceito de cultura do ponto de vista antropológico, ainda em vigor. Na verdade, ele apenas formalizou uma ideia que vinha a crescer desde o Iluminismo. Já John Locke (filósofo britânico e fundador da ideologia liberal), em 1690, afirmava que a mente humana era “uma caixa vazia no nascimento, dotada de capacidade ilimitada de obter conhecimento”, conceito que hoje designamos por endoculturação (processo permanente de aprendizagem de uma cultura por um indivíduo).

Taylor enfatizou, portanto, a ideia da aprendizagem na sua definição de cultura:
o Homem é, por natureza, um animal “versátil” que, munindo-se de instrumentos como a Cultura, conseguiu compensar o seu contínuo processo de inacabamento, do ponto de vista biológico, com uma grande complexificação cerebral. Isto permitiu-lhe sobreviver através dos tempos, ainda que com um equipamento biológico relativamente simples.
Atentemos no seguinte exemplo:
Um esquimó que deseje morar num país tropical, adapta-se rapidamente; substitui o igloo e os seus grossos casacos por um apartamento refrigerado e roupas leves, enquanto o urso polar não pode adaptar-se fora do seu ambiente.
Logo, verifica-se que a Cultura surgiu da necessidade de adaptação do Homem aos diferentes ambientes. Em vez de nascer geneticamente predisposto para se adequar somente a um determinado local, como os restantes animais, o Homem recorre não só, mas também, a elementos epigenéticos. Por exemplo, a baleia perdeu os membros e os pêlos e adquiriu barbatanas para se adaptar ao meio marítimo. Enquanto a baleia teve que transformar-se ela mesma num “barco”, o homem utiliza um equipamento exterior ao corpo para navegar.
Além disso, a Cultura trata-se um processo acumulativo: o Homem recebe conhecimentos e experiências “acumulados” ao longo das gerações que o antecederam e, se estas informações forem adequada e criativamente manipuladas, permitirão inovações e invenções.
Assim, estas não são o resultado da acção isolada de um indivíduo, mas o esforço de toda uma comunidade.
Roger Keesing, antropólogo, no seu artigo Theories of Culture (1974), define Cultura de acordo com duas correntes:


 As teorias que consideram a cultura como um sistema adaptativo: culturas são padrões de comportamento socialmente transmitidos que servem para adaptar as comunidades humanas ao seu modo de vida (tecnologias, modo de organização económica, padrões de agrupamento social, organização política, crenças, práticas religiosas, etc.)
 

 As teorias idealistas da cultura são divididas em três abordagens:
     
A primeira considera cultura como sistema cognitivo ("consiste em tudo aquilo que alguém tem de conhecer ou acreditar para operar de maneira aceitável dentro da sociedade").

A segunda abordagem considera cultura como sistemas estruturais ("um sistema simbólico que é a criação acumulativa da mente humana). O seu trabalho tem sido o de descobrir na estruturação dos domínios culturais – mito, arte, parentesco e linguagem – os princípios da mente que geram essas elaborações culturais.

A terceira abordagem considera cultura como sistemas simbólicos (é um sistema de símbolos e significados partilhados pelos membros dessa cultura que compreende regras sobre relações e modos de comportamento).
No fundo, a Cultura é uma lente através da qual o homem vê o mundo - pessoas de culturas diferentes usam lentes diferentes e, portanto, têm visões distintas da realidade.
Além disso, este facto tem como consequência a propensão para considerar o seu modo de vida como o mais correcto e o mais natural (etnocentrismo), depreciando o comportamento daqueles que agem fora dos padrões da sua comunidade.
Comportamentos etnocêntricos resultam, geralmente, em apreciações negativas dos padrões culturais de povos diferentes, onde as práticas de outros sistemas culturais são vistas como absurdas.
Mas ainda assim, o etnocentrismo é um “comportamento universal”, na medida em que é comum a crença de que a nossa própria sociedade é a mais correcta.
 
Em oposição ao etnocentrismo, surge a apatia. Em lugar do “prestar culto” dos valores da sua própria sociedade, num momento de crise os indivíduos abandonam a crença naquela Cultura e perdem a motivação que os mantém unidos.
Por exemplo, os africanos, quando foram trazidos como escravos para uma terra estranha, com costumes e línguas diferentes, perdiam a motivação de continuar vivos e muitos praticavam suicídio.
É importante frisar que, embora nenhum indivíduo conheça totalmente o seu sistema cultural, é necessário que o indivíduo tenha um mínimo de conhecimento da sua cultura para conviver com os outros membros da sociedade. Nenhum indivíduo é perfeitamente “socializado”, mas é nesta imperfeição que reside a grande força transformadora de um sistema cultural, que está em contínuo processo de mudança.

A mudança cultural subdivide-se em dois tipos: interna (resulta da dinâmica do próprio sistema cultural e, é lenta; porém, o ritmo pode ser alterado por eventos históricos, como uma catástrofe ou uma grande inovação tecnológica) e externa (é o resultado do contacto de um sistema cultural com outro; esta é mais rápida e brusca).
Em suma, o tempo é um elemento a ter em conta aquando da análise do conceito de Cultura e, da mesma forma que é importante para a Humanidade a compreensão das diferenças entre os povos de culturas diferentes, é necessário entender as diferenças que ocorrem dentro do mesmo sistema, considerando factores como hereditariedade, espaço, tempo e, o mais substancial de todos, a capacidade de mudança.


Por Helena (Com base na obra Cultura, um conceito Antropológico, de Roque de Barros Laraia)

A Cultura numa perspectiva Antropológica (Parte I)

Desde a Antiguidade que, o ser humano, tem revelado a necessidade de encontrar uma explicação para as suas diferenças, a nível do comportamento e atitudes, tomando, portanto, como referência as diversidades genéticas e geográficas.



      Numa primeira abordagem, alguns estudos verificaram que:
1- As características biológicas não são determinantes das diferenças culturais: por exemplo, se uma criança brasileira for criada na França, ela crescerá como uma francesa, aprendendo a língua, os hábitos, crenças e valores dos franceses. Podemos citar, ainda, o facto de muitas actividades que são atribuídas às mulheres numa cultura são responsabilidade dos homens noutra.

2- O ambiente físico também não explica a diversidade cultural. Por exemplo, os lapões e os esquimós vivem em ambientes muito semelhantes – os lapões habitam o norte da Europa e os esquimós o norte da América. Era de se esperar que eles tivessem comportamentos semelhantes, mas os seus estilos de vida são bem diferentes.
 Os esquimós constroem os igloos amontoando blocos de gelo num formato de colmeia e forram a casa por dentro com peles de animais. Com a ajuda do fogo, eles conseguem manter o interior da casa aquecido. Quando muda de local, o esquimó abandona a casa levando apenas os seus pertences e constrói um novo igloo.
Já os lapões vivem em tendas de peles de rena. Quando desejam mudar-se, eles desmontam o acampamento, secam as peles e transportam tudo para o novo local. Além disso, enquanto os lapões se dedicam à criação de renas, os esquimós apenas caçam renas.

Outro exemplo são as tribos de índios que habitam uma mesma área florestal e têm modos de vida bem diferentes: algumas são amigáveis, enquanto outras são ferozes; algumas alimentam-se de vegetais e sementes, outras caçam; têm rituais diferentes, entre outros…
Verificando-se que a primeira abordagem não gerava soluções explicativas da diferença cultural, surge uma segunda abordagem que visa a interacção social como a verdadeira explanação do problema:

3- O comportamento dos indivíduos depende, então, de um conjunto de aprendizagens, cujo processo se designa por socialização. Pessoas de “raças” ou sexos diferentes têm comportamentos diferentes, não somente em função da predisposição genética ou do ambiente em que vivem, mas por terem recebido uma educação diferenciada; educação essa que tem as suas raízes numa colectividade, denominada Cultura.
Deste modo, conclui-se que é a Cultura que determina verdadeiramente a diferença de comportamento entre os homens. O Homem age de acordo com os seus padrões culturais, logo ele é o resultado do meio em que interage/socializa. Logo, se os padrões culturais divergem de sociedade para sociedade, a Cultura também varia.

Por Helena (Com base na obra Cultura, Um conceito Antropológico, de Roque Barros Laraia)

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Continuação da Teoria do Culturalismo

Como lemos nos post anterior, o aspecto da transmissão cultural é um pilar muito importante nesta teoria que tem por premissa básica que uma determinada cultura impõe um determinado pensamento aos Homens nela inseridos.A cultura condiciona o comportamento psicológico do indivíduo, a sua maneira de pensar, a forma com percebe o que o rodeia e como extrai,organiza e assimila a informação daí proviniente.Neste sentido, foram significativos os trabalhos de Ruth Benedict, realizados
na década de 1930, sobre os índios pueblo do sudoeste dos Estados Unidos - os
quais, apesar de imersos num meio físico semelhante ao das etnias
circunvizinhas, raciocinavam de forma muito diferente diante de problemas
idênticos.
Margaret Mead analisou principalmente a importância da educação na formação
da personalidade adulta. Ralph Linton e Abram Kardiner, por sua vez, expuseram o
conceito de personalidade de base, que consistiria num mínimo psicológico comum
a todos os membros de uma sociedade.


" A análise da cultura realizada a partir da noção de pattern, de "configuração", de "perfil", foi por eles sistematizada(...), cujos trabalhos vieram mostrar a descontinuidade entre as culturas e a relatividade das formas culturais"

                                     Valade, Bernard (1995). "Cultura". in Tratado de Sociologia




Os homens não nascem com cultura, sofrem um processo de endoculturação ou inculturação- ajustamento das nossas formas de comportamento inato ou biologicamente determinado às práticas culturais estabelecidas no nosso grupo.
Ralph Linton aprofundou a relação estreita que existe entre a personalidade de um indivíduo e a cultura da sociedade a que pertence. Como escreve em 1936: " A cultura (...) só existe no espírito dos indivíduos que formam uma sociedade. As características que possui advêm-lhe das personalidades desses individuos e da interacção dessas personalidades. Inversamente, a personalidade de cada indivíduo é elaborada e funciona em permanente associação com a cultura da sociedade"                     Valade, Bernard (1995). "Cultura". in Tratado de Sociologia



Para a escola culturista, a cultura é constituída por um sistema de comportamentos aprendidos e transmitidos numa determinada sociedade que modela a personalidade dos indivíduos.
Ao mesmo tempo, é também formada pelo resultado material (os objectos manifacturados) desses comportamentos. Nesta concepção de cultura, um objecto só tem valor se tiver um sentido, sendo a cultura um conceito abstracto. A realidade concreta não é senão aquela dos comportamentos dos indivíduos que são por eles apreendidos.


Por Beatriz